Na segunda-feira à tarde (6-08-12), em jeito de ação de sensibilização ou workshop, a Dr.ª Marisa Azul, com formação superior na área da Biologia e agora nossa vizinha, tentou-nos transmitir uma visão diferente do meio ambiente que nos envolve.
Não se trata apenas de um olhar atento ou de alguém que conhece bem os problemas do meio ambiente, é também um novo morador preocupado com o nosso bem estar, qualidade de ambiente e com a nossa própria segurança, principalmente no Verão.
O processo de eucalitização, iniciado nos finais dos anos 70-inícios dos anos 80, contribuiu para a quase erradicação do pinheiro, ou de outras espécies arbóreas nativas como o castanheiro, carvalho, medronheiro e sobreiro.
Todos nos lembramos que a euforia do lucro fácil e rápido levou à substituição de pinhais, olivais e até pequenas parcelas aráveis por eucaliptais desordenados e agora cheios de mato.
Porém, o "ouro verde australiano" já não dá o que dava... As celuloses detém enormes plantações e os incêndios fazem baixar o preço da madeira para menos de metade. Lembro que alguns eucaliptais nem foram cortados após o grande incêndio de 2005, pelo que se encontram em estado de puro abandono.
A falta de ordenamento da nossa floresta ou a falta de políticas e medidas ambientais de fundo dão continuidade a esta balbúrdia insustentável, que nos deixa como que de mãos atadas ou apáticos. Mas então, o que podemos fazer? Está nas nossas mãos alterar o estado deprimente em que se encontra a nossa floresta? Que fazer agora com esses terrenos impregnados de eucaliptos e de acácias? A solução não pode ser a de deixar correr o tempo e esperar por subsídios que nos incentivem a replantar outra coisa qualquer?
Mariza Azul pediu às nossas crianças que pintassem (com tintas naturais) a nossa aldeia, mais verde e com um meio ambiente melhor. As crianças depressa passaram para a tela improvisada os seu sonhos e, nas entrelinhas, a ideia de que há muito por fazer e mudar para que o sol volte a brilhar e a floresta seja um bem sustentável, fonte de biodiversidade e de riqueza natural.
O caminho pode ser muito longo, mas é urgente mudar de rumo e de mentalidade. É preciso reaprender a explorar a floresta de uma forma integrada e sustentável!
Falta uma parte nevrálgica e a mais complicada neste processo, a de sensibilizar as pessoas que mandam na floresta, os proprietários! Mostrar-lhes não só os benefícios ambientais e económicos, de uma requalificação da floresta, na prática, alternativas viáveis ao eucalipto.


