segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Casal do Lobo_memórias do nosso Carnaval Trapalhão

Finais da década de 70-80... 

À hora marcada lá estávamos nós em casa do Fausto. Descíamos até uma pequena divisão, na cave, onde se amontoavam roupas usadas, antigas, à espera deste dia para saírem à rua. Abríamos os nossos sacos cheios de trapos e fatiotas mal combinadas, na tentativa de nos disfarçarmos o melhor que imaginávamos. 

Eu, o Moreira e o Fausto, o trio de leste, companheiros de tantos carnavais, preparávamo-nos para mais um desfile no "sambódromo inexistente" das ruas de Casal do Lobo. A coisa estava mais ou menos combinada e o tema daquele Carnaval era coisa nenhuma, uma velha, um velho e o filho... já não me lembro bem. 

Naquela altura não havia a loja da "Mascarilha", nem dinheiro para investir em disfarces ou acessórios e a solução era o reutilizar roupas velhas e usadas, acumuladas em guarda-vestidos e malas de madeira, já com traça, cheiro a mofo ou à naftalina. A troca de máscaras, normalmente rígidas e desgastadas, era também comum. Com meia dúzia de tocados comprávamos bombinhas de rastilho, estalos e bombas de mau cheiro. 

No lusco-fusco, lá íamos de porta em porta, batendo aqui e ali. Umas casas abriam a porta, outras não. As que ousavam abrir, sabiam que éramos miúdos, e tentavam descobrir quem estava por detrás da máscara. Entre grunhidos, vozes distorcidas, gestos provocados, guinchos, lá se descobria o primeiro mascarado... - É o Sérgio, o filho do Albano!  Logo ficava mais fácil de adivinhar ou outros dois, pois o trio já era conhecido de outros carnavais e de outras brincadeiras. 

Recebíamos dinheiro, ovos, chouriços, rebuçados... Ficávamos felizes e contentes com tão pouco. Minutos de emoção, um misto de brincadeira, medo, adrenalina, entusiasmo, mas também tristeza e desilusão quando não nos davam troco ou atenção. Quando não nos abriam a porta, fazíamos de tudo para irritar os vizinhos, muito barulho, batíamos repetidamente, desarrumávamos os vasos, atávamos as portas e portões, ou largávamos uma bombita. 

Por vezes cruzávamo-nos com outros grupos de mascarados, que no início eram muitos e até vinham de outras aldeias. Tínhamos um medo do "caraças" dos grupos mais velhos, mas nunca alinhávamos em provocações. 

Corríamos a aldeia de lés a lés. Sábado, domingo, segunda e terça, em cada dia uma fatiota diferente, uma ilusão fantástica e uma emoção indescritível para três putos de uma aldeia, dos arredores de cidade do "conhecimento".

No final dividíamos os pertences angariados e fazíamos uma bela merenda, normalmente em casa do Moreira, com ajuda da "ti Cila".

...assim era o Carnaval trapalhão no Casal do Lobo e de que guardo memórias fantásticas... 

Desfile Carnaval 2017-02-26 (foto de Maria Almeida, adaptada)

CM de Coimbra cede escola de Casal do Lobo para criação de Centro de Dia

 In Campeão das Províncias13 de Janeiro 2021

Jornal Campeão: CM de Coimbra cede escola de Casal do Lobo para criação de Centro de Dia

Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, formalizou, esta terça-feira (12), um protocolo de cessão precária com o CASPAE – Centro de Apoio Social de Pais e Amigos da Escola n.º 10, representado pela presidente da direcção, Maria Emília Bigotte, relativo à cedência da antiga Escola de Casal do Lobo, por um período de 20 anos, eventualmente renovável, para esta instituição criar um Centro de Dia e um Serviço de Apoio Domiciliário.

A escola já se encontrava cedida ao CASPAE, através de um contrato de comodato celebrado em 2011, mas a instituição solicitou o alargamento do período de cedência de utilização do espaço para se poder candidatar a financiamento de modo a obter condições para desenvolver as novas valências que irão beneficiar a comunidade. O vereador da área social, Jorge Alves, esteve presente na cerimónia.

O CASPAE está a usufruir do espaço da antiga escola EB1 de Casal do Lobo, desde 2011, na sequência da celebração de um contrato de comodato com a CM Coimbra, depois da suspensão de funcionamento deste estabelecimento de ensino por não “funcionar com, pelo menos, 21 alunos”, de acordo com a resolução do Governo daquela época. Todavia, esta instituição pretende candidatar-se ao financiamento do programa PARES 3.0, de forma a criar condições para o desenvolvimento de um Centro de Dia e um Serviço de Apoio Domiciliário nesse espaço. Para isso, é necessário que o espaço seja cedido, em regime de permanência e exclusividade, durante um período mínimo de 20 anos, já que esta é uma cláusula obrigatória para a candidatura ao financiamento do PARES 3.0.

Essa intenção foi aprovada na reunião de Câmara de 23 de Novembro passado e terça-feira (12) foi, então, formalizado um protocolo de cessão precária entre as duas entidades, que determina a cedência da antiga EB1 de Casal do Lobo, por um período de 20 anos, eventualmente renovável, ao CASPAE, para que assim seja possível a candidatura ao programa PARES.

O CASPAE fica responsável pelos encargos do edifício, nomeadamente, as despesas com as ligações e consumos de água, energia eléctrica e telefone, seguros, contratos emergentes da utilização do imóvel e ainda com a manutenção do edifício de acordo com o plano e a apreciação dos serviços municipais e aprovação da CM Coimbra.

No âmbito do processo de obras, a executar em duas fases, que se destinam à adaptação da EB1 de Casal do Lobo para Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, o Executivo municipal já deferiu o pedido de aprovação do projecto de arquitectura, o faseamento da obra e a sua execução, no ano 2014. É ainda de salientar que as respostas sociais de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário são identificadas, no Diagnóstico Social do Concelho de Coimbra, como prioritárias, nomeadamente na área geográfica da freguesia de Santo António dos Olivais, onde a taxa de cobertura destas respostas sociais é ainda baixa face à procura.

ESTUDASSES!

Estudaste nos anos 70 ou 80 na Nova Escola Primária de Casal do Lobo? Então porque é que ainda não te inscreveste no convívio? É para ti e p...