Em primeiro lugar, quero expressar
a minha solidariedade a todas as famílias que recentemente passaram por este
tipo de tormento, com votos de superação, coragem e muita força, para
prosseguirem com esperança nesta longa viagem, que todos sabemos ser temporária.
Em segundo lugar, gostaria de apelar a todos os amigos do Casal do Lobo (e arredores) para participarem numa
breve reflexão sobre o assunto, que me tem intrigado, particularmente, e me
deixa muito preocupado.
Em cerca de oito meses
suicidaram-se quatro pessoas na nossa aldeia, o que é, no mínimo, estranho, assustador
e dramático. Em todas as aldeias acontecem estes episódios deprimentes e até no
Casal do Lobo já haviam acontecido, mas não com esta frequência e sempre pelo
mesmo método.
Não me choca apenas o facto de
serem pais de amigos meus, pessoas por quem tinha carinho, respeito e admiração.
São pessoas, seres humanos, vizinhos e amigos, que talvez perdidos neste
“modelo de vida alucinante” deixaram de ter gosto por viver, decidindo, unilateralmente,
por termo à vida.
Há um conjunto de problemas comuns
na nossa população, que não só está envelhecida, como está também deprimida e
com outras doenças comuns nas idades mais avançadas. Existe também, nalguns casos,
um certo isolamento social, até porque se trata de uma aldeia cada vez mais urbanizada
e descaracterizada.
É um cenário medonho que se vai replicando e está a acontecer com uma frequência indescritível. É urgente diagnosticar melhor o que está a acontecer, o que tem motivado estas mortes premeditadas e repensarmos o nosso papel e ação dentro das famílias. Temos de agir, individualmente e em conjunto, fazendo o que estiver ao nosso alcance para inverter esta tendência lamentável, rapidamente. Ou seja, cabe-nos a todos refletir sobre um problema comum e unir esforços, para que não se volte a repetir este cenário, lamentavelmente, pintado de cinza e negro (imagem © IA Copilot).